"(...) Pelo visto, o nosso Fernando Sabino não tem contra os lugares-comuns a idiossincrasia de Flaubert e ainda menos a raiva sagrada de Leon Bloy, autor do Exegese dos Lugares-Comuns, que via neles a deturpação, pelo burguês detestado, de palavras divinas e os reuniu "para arrancar a língua aos imbecis, aos terríveis e definitivos idiotas deste século". O que o humorista brasileiro quer é divertir-se e divertir-nos, como ressalta o subtítulo: "Viagem ao Mundo Convencional. As Bobagens Que A Gente Diz: Eu, Você e Flaubert." E vai alinhando, como suplemento ao Dicionário de Idéias Feitas, truísmos encontradiços no discurso brasileiro todos os dias.
Trata-se do trabalho de um grande observador da língua, de que o próprio Flaubert teria gostado. Ele se recomenda a quantos lidam com a língua: professores, escritores, oradores, pois só conhecendo os lugares-comuns é possível evitá-los. (...)"


Paulo Ronái, 1952